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quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

A IMPORTÂNCIA DA ÁGUA NA TERCEIRA IDADE.

      A ÁGUA NOSSA DE CADA DIA!

Fonte foto: http://mariabonita.webs.com/

ÁGUA E ENVELHECIMENTO
(Dr. Arnaldo Lichtenstein)

Dr. Arnaldo relata que sempre que dá aula de Clínica Médica a estudantes do quarto ano de medicina, lança a pergunta:

“Quais as causas que mais fazem o vovô e a vovó terem confusão mental?”

Alguns arriscam: “Tumor na cabeça”. Eu digo: “Não”.
Outros apostam: “Mal de Alzheimer”. Respondo, novamente: “Não”.

A cada tentativa a turma espanta-se. E fica ainda mais boquiaberta quando enumero os três responsáveis mais comuns:
- diabetes descontrolado;
- infecção urinária;
- a família passa um dia inteiro no shopping, enquanto os idosos ficaram em casa.

Parece brincadeira, mas não é. 
Constantemente vovô e vovó, sem sentir sede, deixam de tomar líquidos. Quando falta gente em casa para lembrá-los, desidratam-se com rapidez. A desidratação tende a ser grave e afeta todo o organismo. Pode causar confusão mental abrupta, queda de pressão arterial, aumento dos batimentos cardíacos (“batedeira”), angina (“dor no peito”), coma e até morte.

Insisto: Não é brincadeira. Ao nascermos, 90% do nosso corpo é constituído de água. Na adolescência, isso cai para 70%. Na fase adulta, para 60%. Na terceira idade, que começa aos 60 anos, temos pouco mais de 50% de água. Isto faz parte do processo natural de envelhecimento. Portanto, de saída, os idosos têm menor reserva hídrica. Mas há outro complicador: mesmo desidratados, eles não sentem vontade de tomar água, pois os seus mecanismos de equilíbrio interno não funcionam muito bem.

Explico: nós temos sensores de água em várias partes do organismo. São eles que verificam a adequação do nível. Quando ele cai, aciona-se automaticamente um “alarme”. Pouca água significa menor quantidade de sangue, de oxigênio e de sais minerais em nossas artérias e veias. Por isso, o corpo “pede” água. A informação é passada ao cérebro, a gente sente sede e sai em busca de líquidos.

Nos idosos, porém, esses mecanismos são menos eficientes. A detecção de falta água corporal e a percepção da sede ficam prejudicadas. Alguns, ainda, devidos a certas doenças, como a dolorosa artrose, evitam movimentar-se até para ir tomar água. 

Conclusão: idosos desidratam-se facilmente, não apenas porque possuem reserva hídrica menor, mas porque percebem menos a falta de água em seu corpo. Além disso, para a desidratação ser grave, eles não precisam de grandes perdas, como diarréias, vômitos ou exposição intensa ao sol. Basta o dia estar quente ou a umidade do ar baixar muito – como é comum nos meses de verão.

Nessas situações, perde-se mais água pela respiração e pelo suor. Se não houver reposição adequada, é desidratação na certa. Mesmo que o idoso seja saudável, fica prejudicado o desempenho das reações químicas e o desempenho de funções de todo o seu organismo.

Por isso, aqui vão dois alertas.

O primeiro é para vovôs e vovós:
Tornem voluntário o hábito de beber líquidos. Bebam toda vez que houver uma oportunidade. Por líquido entenda-se água, sucos, chás, água-de-coco, leite. Sopa, gelatina e frutas ricas em água, como melão, melancia, abacaxi, laranja e tangerina, também funcionam. O importante é, a cada duas horas, botar algum líquido para dentro. Lembrem-se disso!    

Meu segundo alerta é para os familiares:
Ofereçam constantemente líquidos aos idosos. Lembrem-lhes que isso é vital. Ao mesmo tempo, fiquem atentos. Ao perceberem que estão rejeitando líquidos e, de um dia para o outro, ficam confusos, irritadiços, fora do ar, atenção. É quase certo que esses sintomas sejam decorrentes de desidratação. Líquido neles e rápido para um serviço médico.

Fonte Foto: http://paxprofundis.org/livros/agenv/agenv.htm

Arnaldo Lichtenstein, médico, é clínico-geral do Hospital das Clínicas e professor colaborador do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).

QUANTIDADE DE ÁGUA EM NOSSO ORGANISMO

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